O sabor das memórias afetivas
Infinitos saberes e sabores na alquimia da colônia

1 min de leitura
Por Sandra Bonetto*
Rememorar os cheiros, sabores e as suas experiências pode ser um momento de nostalgia. É a nona que ensina as filhas. As filhas que ensinam as netas. E a mistura de ingredientes que são colhidos na roça, produzidos ali mesmo, para o sustento de uma família, por vezes numerosa, pode até ser simples, mas o seu sabor não. Está ali a memória afetiva da infância, da colônia e dos ensinamentos da nona.
Nona Severina, filha de imigrantes italianos, mãe de sete filhos e esposa do nono Angelo, conhecia muito bem a alquimia dos alimentos da colônia. Iguarias como a carne de porco, a banha, a galinha de cor bem amarela, os ovos da gema quase vermelha, as saladas. Enfim, uma alimentação 100% produzida pela própria comunidade. E que sabor! Que aromas! Que alquimia!
O alimento foi a maior conquista dos imigrantes italianos. Por muito tempo, eles passaram necessidades e até fome. Conquistar a casa, a terra e a comida foram as grandes vitórias de centenas de famílias de imigrantes italianos que aqui chegaram.
Sua mesa saborosa e farta é o símbolo de que aqui construíram seus lares e venceram! Venceram a fome, venceram a falta de trabalho e venceram a terra. O grande desenvolvimento econômico de Caxias do Sul, passa, com certeza, pelas mãos de muitas mulheres, como a Nona Severina e seus infinitos saberes e sabores.
*Sandra Bonetto - Coordenadora do Ponto de Cultura Costurando Sonhos que promove no dia 3 de junho o Cinema com Nhoque, com degustação de receitas da Nona Severina
- Leia também: