Erva-mate é herbicida natural
Pesquisadoras brasileiras constataram efeitos sobre lavouras

2 min de leitura
Uma pesquisa realizada pela Universidade do Vale do Taquari - Univates, de Lajeado, no Rio Grande do Sul, por meio do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec), apontou que extratos aquosos de folhas de Ilex paraguariensis A.St.-Hil, conhecida como erva-mate, apresentam potencial como herbicida natural, sendo capazes de eliminar plantas de buva ( Conyza bonariensis L_._ Cronquist), que infestam lavouras brasileiras, principalmente as de soja.
Algumas plantas que infestam culturas agrícolas têm adquirido resistência aos herbicidas, estimulando a busca por novos métodos de controle dessas plantas infestantes, que causam prejuízos econômicos a quem cultiva caso não sejam controladas. É nesse contexto que os metabólitos secundários de algumas plantas ‒ o produto gerado pelos processos do metabolismo vegetal ‒ podem ser usados para o desenvolvimento de defensivos naturais, constituindo uma alternativa mais sustentável ao uso de herbicidas.
O estudo avaliou os efeitos fitotóxicos de extratos aquosos de folhas de erva-mate sobre a buva. Além de reduzir o número de germinações, quando expostas ao extrato, houve aumento do tempo de germinação e do tempo necessário para a formação de plântulas.
Plantas adultas, quando expostas ao extrato, apresentaram danos na epiderme das folhas, além de em outros tecidos (parênquima paliçádico e lacunoso) em seis horas após a exposição ao extrato. Os resultados do estudo confirmaram efeito tóxico do extrato aquoso por decocção sobre a germinação e o crescimento da buva e, ainda, sobre os tecidos das folhas de plantas adultas, comprovando potencial para o desenvolvimento de um herbicida natural com erva-mate.
O artigo que descreve os resultados foi publicado recentemente no South African Journal of Botany. Fernanda Bruxel, Kétlin Fernanda Rodrigues, Júlia Gastmann, Mara Cíntia Winhelmann, Shirley Martins Silva, Lucélia Hoehne, Eduardo Miranda Ethur, Raul Antonio Sperotto e Elisete Maria de Freitas assinam o estudo. A pesquisadora principal, Fernanda Bruxel, abordou o tema ao longo de seu mestrado no PPGBiotec.
Na opinião da professora Elisete de Freitas, orientadora de Fernanda, o estudo possibilita mais uma forma de uso dos benefícios da erva-mate. “São mais possibilidades de retorno econômico para os produtores e para a indústria ervateira. Quanto à buva, em culturas agrícolas (monoculturas) ela representa um problema grave, e este estudo pode representar uma alternativa mais sustentável para o seu controle”, destaca a docente.