Década dos Oceanos pede urgência
Temos que mudar nosso relacionamento com os oceanos

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A noite caía no litoral gaúcho e as crianças (e adultos) corriam para a beira do mar para brincar de raspar os pés na areia e provocar rastros de luz.
Com muita sorte era possível ver também a mesma luminescência azulada nas cristas das ondas, em noites sem muita lua.
Naquela mesma noite, do outro lado do mundo, adultos e crianças se reuniam à beira do Oceano Índico para reverenciar a aparição de uma Baleia Azul, o maior ser vivo do Planeta.
Entre os seres microscópicos (Noctilucas), que em grandes populações produzem a bioluminescência encantadora, e a Baleia Azul, com seus 30 metros de comprimento, a ciência estima que existam outros 2,5 milhões de espécies marinhas. Um número projetado, pois a própria ciência reconhece que a grande maioria das espécies dos oceanos ainda não foi classificada ou mesmo descoberta.
A vida veio do mar há 3,5 bilhões de anos.
Nenhum ser humano estava lá para ver, mas cada um de nós já pode constatar ao longo de sua existência o desaparecimento (ou drástica redução) de vários animaizinhos que eram encontrados na beira do mar, como caramujos, estrelas do mar, conchas especiais e mesmo as (temíveis) águas-vivas, sem falar de peixes que nunca mais apareceram.
A vida veio do mar há 3,5 bilhões de anos.
Mas bastaram os últimos 200 anos, com a chegada da Era Industrial, para que a civilização passasse a comprometer a própria vida dos oceanos com as “zilhões” de toneladas de resíduos líquidos e físicos decorrentes das atividades humanas, jogadas ao mar diariamente.
Sem mar não há vida
Todos temos uma estreita relação com o mar, seja pelo prazer de estar em sua companhia, pelos produtos dali extraídos (ou que por ali transitam) para nosso consumo e mesmo para respirar.
Ao contrário do que muitos pensam, a maior parte (mais de 50%) da produção do oxigênio que necessitamos para viver é produzida por plânctons, algas e bactérias que vivem nos mares, segundo reconhece o próprio Instituto Brasileiro de Florestas. Ou seja, os mares são o verdadeiro pulmão da Terra. Também são fundamentais para regular o clima no planeta e influenciam toda a produção agrícola.
Sem mar não há vida. A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que de 2021 a 2030 seria realizada a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável – mais conhecida como Década do Oceano.
O foco nos oceanos será essencial para a sociedade discutir as ameaças já vivenciadas pela vida marinha. A poluição plástica, acidificação, pesca predatória e elevação dos oceanos são alguns dos problemas a serem freados. E tomar providências urgentes.
De acordo com os resultados estudo realizado por cientistas da Universidade de Reading, da Inglaterra, mais da metade dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico podem ser considerada afetada por mudanças climáticas.
A previsão é de que - se nada for feito - este percentual chegue a 80% em 60 anos. Os oceanos do hemisfério Sul são afetados mais rapidamente, com alterações significativas que vem sendo detectadas desde a década de 80.
Estamos longe de descobrir todas as espécies que vivem neste vasto universo dos oceanos, mas já podemos constatar os graves impactos que a sociedade industrial vem causando sobre esta fonte da vida.
Se quisermos continuar usufruindo da generosidade oceânica que tanto sustenta a vida, temos que mudar nosso relacionamento com a água, desde o uso doméstico até a destinação de nossos resíduos.
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