Planeta

07/11/2021 18h30

A Terra é a casa de todos

Apelo de cientistas e líderes religiosos pedem ações rápidas para curar a nossa casa comum.

Por NBE

AdobeStock/NBE
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O mês de novembro de 2021 será lembrado na história por um dos eventos mais decisivos para o futuro da humanidade.

A chamada COP 26, promovida pela Organização das Nações Unidas, vai reunir líderes do mundo inteiro na Escócia de 31 de outubro a 12 de novembro para definir os compromissos necessários para frear a emergência climática.

Vários grupos e entidades vêm dando o alerta há tempos. Em outubro passado, o encontro "Fé e Ciência. Rumo à Cop26" confluiu o conhecimento de cientistas e a sabedoria de líderes religiosos de diferentes culturas e países que atenderam ao chamado do Papa Francisco para referendar um Apelo Conjunto para que a Comunidade Internacional "tome medidas rápidas, responsáveis e compartilhadas para salvaguardar, restabelecer e curar nossa humanidade ferida e a Casa confiada aos nossos cuidados". 

"Herdamos um jardim: não devemos deixar um deserto para os nossos filhos", realça outra parte do documento. Uma imagem simbólica, mas que se traduz concretamente para que os líderes políticos tomem ações para "atingir zero emissões de gás carbônico o mais rápido possível e financiar a redução de emissões das nações mais pobres".

As definições e ações dos países que estiverem no evento da Escócia podem decidir o futuro da humanidade.

 

ECONOMIA & ECOLOGIA

O conceito de “casa” está na origem das palavras Economia e Ecologia. Ambas trazem na raiz o termo grego oikos = “casa”. 

Em suas origens, Economia é a arte de bem administrar a casa e Ecologia é o estudo (logia) das relações entre os seres vivos e o meio (casa) em que vivem.

O próprio criador do termo “Ecologia”, o biólogo alemão Ernst Haeckel, em 1869, ao definir Ecologia, destaca-a como sendo “a economia da natureza”, apontando essa ciência como “o conjunto de conhecimentos referentes à economia da natureza, à investigação de todas as relações do animal tanto com seu meio inorgânico quanto orgânico, incluindo, sobretudo, sua relação amistosa e hostil com aqueles animais e plantas com que se relaciona direta ou indiretamente.

Já a Economia, para cumprir o seu grande objetivo, deveria estar totalmente em sintonia com a Ecologia, pois a “casa dos seres humanos a ser administrada” faz parte do grande ecossistema.

 

PASSEIOS ESPACIAIS

No paradoxo dos tempos atuais, assistimos na mídia os passeios turísticos espaciais protagonizados por alguns poucos milionários, acompanhamos os impactos ambientais irreversíveis e os desperdícios de várias ordens, enquanto boa parte da humanidade não tem garantido sequer seu direito à moradia, à alimentação e ao consumo mínimo.

A pergunta que não quer calar é: qual o sentido de persistir num modelo perverso que gera tamanha desigualdade e a destruição autofágica da própria vida? 

A segunda e necessária pergunta é: o que EU – enquanto parte dos 8 bilhões de seres humanos habitantes do Planeta Terra – posso fazer para frear a emergência climática e ajudar a construir uma convivência mais harmoniosa entre a Ecologia e a Economia.

As respostas precisam ser rápidas.

A postura deve ser incisiva sobre nossa forma de nos relacionarmos com o uso das diferentes formas de energia, com o consumo em geral e com o descarte adequado. Precisa ser questionadora e exigente junto àqueles que definem políticas públicas e reflexiva sobre os valores humanos que realmente importam.

 

REFLEXÕES SOBRE HABITAR

Um dos maiores filósofos do século XX, o alemão Martin Heidegger, já refletia sobre a forma habitarmos a nossa casa.  Para ele, habitar significa o “nosso modo de estar no mundo”. Habitamos, portanto, a residência, mas este “habitar” também se estende à rua, ao bairro, à cidade, ao planeta.

Segundo ele, nosso modo de estar no mundo é antes de tudo um modo de relacionamento com o outro, com o lugar, com a cultura e, num âmbito maior, com aquilo que chamamos de ecossistemas.

Esta “liberdade de ser e de estar no mundo” deve ser assegurada pela compreensão e respeito a todas as coisas e todos os seres. O egoísmo e a ignorância são, portanto, o que deve ser superado para que o homem aprenda a habitar, ou seja, para que aprenda a “estar no mundo” em harmonia, assegurando assim o seu futuro.

Os teólogos contemporâneos Leonardo Boff e Gustavo Gutierrez, que se dedicam a divulgar uma espiritualidade de mudança para o paradigma ecológico, defendem que a conciliação do sistema econômico com o ecológico se faz necessária, visto a dependência do primeiro em relação ao segundo.

Segundo o documento Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade, elaborado por eles e entregue à ONU, “a Terra e a Humanidade fazem parte de um vasto universo em evolução e têm o mesmo destino, ameaçado de destruição pela irresponsabilidade e falta de cuidado dos seres humanos. A Terra forma com a Humanidade uma única entidade, complexa e sagrada. A Terra é viva e se comporta como um único sistema autorregulador formado por componentes físicos, químicos, biológicos e humanos que a tornam propícia para a produção e reprodução da vida. Por isto, ela é nossa Grande Mãe e nosso Lar Comum”.

 

 

 

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