Planeta

14/10/2021 09h24

Produção e o consumo de alimentos precisam mudar

O Dia Mundial da Alimentação é um bom momento para repensar os reflexos da atual forma de produção e consumo sobre a economia doméstica e sobre o meio ambiente

Por Vera Mari Damian

Reprodução internet
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O Brasil chega ao Dia Mundial da Alimentação – 16 de outubro – com a fome batendo na casa de cerca de 20 milhões de brasileiros, mas sustentando o argumento de que a produção em larga escala é “fundamental para matar a fome no mundo”.  Já, o mundo, sustenta uma multidão de 1 bilhão de pessoas sem o devido acesso ao alimento.

Essa forma de produção em larga escala está em voga no Brasil desde os anos 70, quando foi feita a chamada “revolução verde”. A partir de então assistimos a introdução de venenos e adubos químicos na agricultura, o crescente desmatamento e uso de fogo para aumentar as fronteiras agrícolas e um rastro de intoxicações e envenenamentos causadores de poluição ambiental e de doenças até então desconhecidas.

 Os agrotóxicos antes proibidos graças a uma luta ambiental histórica, foram liberados às centenas no Brasil nos últimos três anos. Venenos que vão chegar na mesa dos consumidores.

Além disso, entramos cada vez mais no circuito da indústria mundial que produz adubos, agrotóxicos e sementes.  São as mesmas corporações que controlam a indústria farmacêutica.  Uma nos envenena com seus "alimentos" e a outra nos vende a "cura" através dos remédios. Fica claro que o objetivo por trás de tudo é lucrar e não produzir alimentos.

 

QUESTÃO MATEMÁTICA

O modo de produção em larga escala à base de agrotóxicos e adubos químicos, - advogado como o método salvador para “matar a fome da população” - não cumpriu seu papel e vem sendo acirrado nos últimos anos para favorecer o chamado “agrobusiness”.

Por conta disso, o Brasil de 2021, colherá mais de 251 milhões de toneladas de grãos, mantém um rebanho de 218 milhões de cabeças de gado e deve produzir cerca de 15 bilhões de toneladas de carne de frango, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal- ABPA.

Os dados da produção brasileira nos levam a uma conta simples. Só em grãos seria possível oferecer a cada um dos 220 milhões de brasileiros cerca de 3 quilos de grãos por dia, fora toda a produção de carnes, ovos, verduras, legumes, frutas e outros.

Com o dólar em alta, boa parte dessa produção brasileira tem sido direcionada para a exportação, a despeito do crescimento da fome no país, e os estoques reguladores foram extintos, colaborando para a alta dos alimentos no mercado interno.

Repensar as formas de produção e distribuição dos alimentos e exigir políticas públicas para isso é uma urgência ambiental e humanitária.

Cada um pode fazer o seu papel questionando as políticas públicas e investigando de onde vêm os alimentos que consome. Dar preferência para os alimentos produzidos em pequenas propriedades e de preferência alimentos orgânicos. 

Nesse Dia Mundial da Alimentação é bom lembrar que também está ao alcance de cada um diversas formas de preservar o nosso já tão impactado Planeta e de promover justiça social.  

 

*Vera Mari Damian é jornalista e ambientalista. 

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