Bem-estar

02/09/2021 10h00

A primavera voltou

Com uma nova consciência, muitas pessoas estão se (re) conectando com a natureza e seus benefícios físicos, mentais e espirituais.

Por NBE

Adobe Stock /NBE
Primavera

A natureza e o meio ambiente adquiriram nos últimos tempos - e seguem adquirindo - importância raramente vista na civilização urbana.

Cultivar plantas ornamentais, plantar alimentos, passear em parques e praças, encarar trilhas, imprimir pegadas na areia da praia, promover piqueniques ao ar livre e proteger o meio ambiente, entre muitas outras atividades, foram um descoberta para alguns, mas passaram a ser vitais para muitos.

Essa (re)conexão com o natural é caminho sem volta. Com ou sem pandemia, quem bebeu dessa fonte está definitivamente “contaminado”.

Acompanhar o ciclo de uma vida – plantar, crescer, florescer, frutificar, colher - é uma experiência que  traz benefícios físicos, mentais e espirituais.

Não deixa de ser paradoxal que muitos de nós estejamos estabelecendo ligações mais estreitas com o mundo natural incentivados pela transitoriedade de uma pandemia.

Até há pouco, os fortes sinais de colapso que a natureza vinha emitindo há anos haviam sido insuficientes para sensibilizar a humanidade. Agora, quando a própria humanidade se sente diretamente ameaçada por um vírus, recorremos ao natural para amenizar a dureza dos dias.

Mas não podemos fechar os olhos para a realidade. Lá fora, os sistemas de produção em massa seguem inalterados – e nós continuamos reféns desse modelo. As matas seguem sendo derrubadas, os venenos seguem encharcando a terra, o gás carbônico continua empestando a atmosfera, os rios, os mares, os, as, os, as....Ou seja, as mudanças que operamos para melhor dentro de nós ainda são insuficientes para alterar o dramático quadro em que o planeta está metido.

O QUE FAZER?

É importante começar a curtir plantas e fazer brotar uma primavera particular no seu interior?

Naturalmente que é importante.

Mas adquirir consciência ecológica é um passo além e talvez este seja um momento crucial para empreender esse avanço em direção a uma meta que só será atingida se for coletivamente.

Assim, faça por merecer esse lindo Planeta.

Fique atenta(o) e se insira em movimentos coletivos que buscam metas ambientalmente relevantes. Cobre providências dos governos e legisladores, denuncie desmandos ambientais, pressione por um ensino escolar mais dedicado ao tema e faça opções radicais por produtos comprometidos com o meio ambiente.

Para saber se um produto é comprometido com o meio ambiente, investigue a sua “mochila ecológica”: seus componentes são naturais? são degradáveis? são facilmente recicláveis? são oriundos de locais próximos que não exigiram grandes queimas de combustíveis para seu transporte? qual o seu impacto social e ambiental do produto? é realmente necessário consumi-lo?

DÁ TRABALHO?

Dá trabalho, sim, principalmente no início quando ainda temos que aprender que tudo está interligado.

Mas ainda será um trabalho bem menor do que lidar com as consequências dos desastres ecológicos que se avizinham, caso a gente não “plante” radicalmente uma nova forma de ser e estar sobre o Planeta.

Para acionar sua primavera particular

A primavera proporciona ensinamentos e encantos. Aproveite a estação.

- Compre flores: leve flores para casa, presenteie a si mesmo ou alguém com flores – símbolo universal de amizade, amor, companheirismo, gentileza, bom gosto.

- Prefira o ar livre: ao sair de casa, sempre que possível opte por programas ao ar livre, ao Sol, ambientes comprovadamente mais salutares do que espaços fechados.

- Abra janelas: no carro, no ônibus, em casa, deixe o ar circular livremente.

- Cultive uma hortinha: em princípio, é possível cultivar chás, temperos, condimentos e folhas em espaços de qualquer tamanho, seja em casas ou apartamentos. Vasos e floreiras, bem posicionados proporcionam agradáveis surpresas a quem está disposto a dedicar algum tempo aos verdinhos.

- Composte seus resíduos: cascas, folhas e outras sobras da cozinha podem ser transformados em adubo orgânico. O composto pode enriquecer a terra de vasos e jardins. O excesso de adubo sempre será excelente presente para aquele amigo que também tem hortinha em casa. O mercado oferece excelentes composteiras: compactas, livres de odores e moscas e com bom custo-benefício. De quebra, você ainda evita queima de combustível com o transporte do seu resíduo e reduz o impacto sobre aterros sanitários.

- Crie abelhas sem ferrão: inofensivas, as abelhinhas dão lições ambientais sem cobrar nada em troca. As colmeias exigem poucos cuidados e, o melhor de tudo, os insetos circulam pela vizinhança polinizando as plantas – ação que, bem sabemos, é vital para a perpetuação das espécies vegetais e animais.

- Observe aves: abra olhos e ouvidos para essas belezuras aladas que pululam por toda parte, inclusive nas áreas urbanas. Você observou que a redução das atividades urbanas durante a pandemia atraiu mais pássaros para as cidades? As redes sociais abrigam variados grupos para troca de informações. Há grupos para observadores iniciantes e veteranos.

- Atraia aves: disponha em seu quintal, varanda, janela, sacada uma casinha para atrair pássaros. Casinhas são baratas, charmosas e não exigem trabalho algum. E, com um tantinho de sorte, você terá inusitados inquilinos construindo ninho bem ali, no seu nariz.

- Voluntarie-se: identifique uma atividade que você gostaria de atuar voluntariamente. Não falta quem precise: pets, moradores de rua, idosos, crianças, entidades assistenciais, casas de passagem, entidades ambientais... a lista de carências é gigantesca, alguma certamente se adequa às suas preferências.

- Desabroche para o outro - Nessa pandemia, quando a água bateu no pescoço, aprendemos muito no quesito “coletividade”. Passamos a valorizar atitudes solidárias com quem mais precisa e nos empenhamos em praticar protocolos sanitários para nos proteger e aos outros. A sempre necessária empatia é vital para que os ciclos se completem e nós cresçamos com valores o mais nobres possível.

 

X