Saúde Integral

19/08/2021 08h00

O sutil sentido do olfato

Um simples aspirar pode despertar fome, provocar atração ou repulsa ou trazer de volta memórias e sentimentos. Mas e quando o olfato não funciona? Já ouviu falar em reabilitação olfativa?

Por Nosso Bem Estar

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Cheiro1

O sutil sentido do olfato

O olfato é apontado como o mais primitivo e intrigante dos sentidos e possivelmente o menos conhecido pela ciência. Sabe-se que os seres humanos possuem cerca de 25 milhões de receptores olfativos capazes de detectar um mundo de odores que, na maioria das vezes, acontece de forma tão sutil que nem percebemos. Apenas sentimos. E nesse mundo onde praticamente tudo tem cheiro, o sentido do olfato tem o poder de decifrar mensagens químicas e influenciar a nossa vida.
O sabor dos alimentos, por exemplo, não é definido somente pelo paladar, mas também pelo olfato.  
Embora os receptores do paladar e do olfato sejam totalmente diferentes e seus estímulos sejam interpretados em regiões diferentes do cérebro, os dois sentidos agem em conjunto para produzir a sensação de gosto.
Quando ingerimos algum alimento, ele libera moléculas de odor que são captadas pelas células olfativas. Dessa forma, conseguimos perceber a combinação de sabores e aromas. Isso explica por que não sentimos muito bem o gosto dos alimentos quando estamos resfriados.

PERDAS POR COVID
No caso da Covid-19, a perda da capacidade de sentir cheiro ou olfato é um dos principais sintomas, muitas vezes associado à perda do sabor (paladar). Há vários graus para essa perda e ela pode ocorrer em qualquer fase da doença ou até não aparecer. O que a ciência já identificou é que, em muitos casos, a perda de olfato pode durar meses, mesmo após a pessoa ter se curado da Covid-19.
O sintoma se apresenta na forma de um sumiço total ou parcial da capacidade olfativa, mas também na dificuldade em distinguir corretamente os odores, levando a pessoa até a sentir cheiros inexistente, denotando que as células olfativas não estão funcionando corretamente.
Perder o olfato pode afetar a qualidade de vida e leva, em alguns casos, ao isolamento e até a problemas emocionais como a depressão e ou desnutrição.
A boa notícia é que um nervo olfatório danificado tem uma boa chance de se reparar através do treinamento do olfato.
A técnica estimula os nervos olfatórios responsáveis por nos fazer sentir cheiros. A reabilitação olfativa consiste basicamente em inalar diferentes odores, concentrando a mente nesses cheiros.  O indivíduo deve tentar perceber pelo menos quatro aromas diferentes, duas vezes ao dia. Os odores geralmente utilizados no processo são: cravo, rosa, limão e eucalipto.
Pode até ser benéfico focar em cheiros familiares, como perfumes, cascas de limão, baunilha ou café moído e refletir sobre as memórias enquanto inala os odores.
Treinamento exige persistência
A aromaterapia tem se revelado uma grande aliada no tratamento de sintomas pós-covid.  
Mesmo que a pessoa não sinta o cheiro de nada nos primeiros dias, é importante continuar o treinamento. Os pacientes que usaram o treinamento olfativo se saíram melhor nas áreas de identificação e discriminação de cheiros do que os pacientes que não fizeram nenhum treinamento.
A aromaterapeuta Andrea Comin indica o atendimento individual pós-covid, a fim de também selecionar qual o melhor óleo essencial durante o tratamento de reabilitação, já que é comum os pacientes passarem por um estado de baixa energia (um dos principais sintomas da covid). “Eles relatam que o uso dos óleos essenciais auxiliou na cura do trauma e na melhora da disposição e forma de ver a vida. Os resultados variam conforme a dedicação de cada pessoa. Uns apresentaram melhoras em um mês e outros em até três meses. Mesmo assim, a reabilitação sempre será bem mais rápida do que se a pessoa não fizer nada”, pontua Andrea Comin.

OUTROS SINTOMAS
A aromaterapeuta Sonia Hamann tem se dedicado ao tratamento de sintomas pós-covid e observa que as terapias integrativas oferecem apoio, mas quadros de dores devem ser acompanhados pelos profissionais da área, médicos e fisioterapeutas.
“A dor precisa ser tratada, mas é preciso perceber os outros gatilhos que ela está acionando, para que o paciente volte a ter a sensação de bem-estar. A queda de cabelo, por exemplo, provoca uma dor diferente, uma dor na autoestima, principalmente nas mulheres”, explica ela, indicando que a aromaterapia pode ajudar muito nesses casos.
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