Bem-estar

07/04/2021 08h00

Vai passar

A monja e doutora Susan Andrews defende que o jeito que o cérebro funciona para entender o que está acontecendo ao redor é contando histórias para si mesmo.

Por Nosso Bem Estar

Jcomp/Freepik/NBE
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Vai passar

Certa vez, um sábio oriental presenteou o imperador com um livro que tinha apenas duas páginas. Junto ao presente veio a seguinte orientação:

“No momento mais triste da sua vida, leia a primeira página.

No momento mais feliz, leia a segunda.

E, assim, esse presente terá atingido seu objetivo.”

Anos depois, um desastre abateu-se sobre o reino e o imperador lembrou-se do livro. Na primeira página, viu somente uma frase curta:

“Vai passar.”

Com o espírito renovado, ele convocou seus conselheiros, pediu o apoio do povo e as dificuldades foram superadas, ao custo de muito trabalho e esforço.

Mais tarde, o reino entrou num período de abundância e glórias.

O imperador lembrou-se novamente do livro e foi direto à segunda página. Nela, estava uma única frase curta:

“Vai passar.”

Essa lenda sufi é apresentada em diferentes versões: um livro, um anel mágico..., mas com o mesmo ensinamento: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca termine. “Tudo é impermanente”, ensinam as religiões, a filosofia e os ditos populares em diferentes linguagens.

Susan Andrews, monja e doutora em Psicologia Transpessoal pela Universidade de Harvard, destaca que “o tempo inteiro estamos contando histórias para nós mesmos. Os cientistas descobriram que o jeito que o cérebro da gente funciona para entender o que está acontecendo ao redor é contando histórias para si mesmo”, explica Susan.

Na coordenação do Instituto Visão Futuro, uma comunidade sustentável fundada por ela no interior de São Paulo, Susan vem ministrando cursos há mais de 20 anos, nos quais ensina sobre a relação entre hormônios-chakras-saúde-felicidade. 

Segundo Susan Andrews, nos últimos dois anos foram publicados mais de 27 mil artigos científicos sobre o que faz o ser humano feliz.

MAIS NÃO É MELHOR

“A história prevalente na mente das pessoas em geral antes dessa crise de agora era a história do Mais é Melhor; se eu tiver cada vez mais dinheiro/mais coisas, eu vou ficar mais feliz. Dentro dessa perspectiva materialista, os cientistas constataram que depois de um certo nível de posses, quando as pessoas já têm o suficiente, Mais NÃO é Melhor”, contou Susan, exemplificando com dados científicos e técnicos.

Agora, com a pandemia, a história de que Mais NÃO é Melhor está sendo experimentada por quase todo mundo. Ao mesmo tempo, emergem estressores psicossociais, ansiedade, depressão e outras doenças. Susan explicou:

- A hiperativação do sistema nervoso simpático gera uma inflamação crônica que é a responsável por todos os tipos de doenças, incluindo a própria depressão. Esse estresse é possível de reverter com relaxamentos. Tem que dar pausas. De manhã cedo, durante o dia e antes de dormir. Não precisa sair de férias uma semana. Tem que dar minipausas para deixar o organismo baixar os hormônios do estresse e diminuir a hiperativação do sistema nervoso simpático – orienta Susan.

Ela observa também que somos seres mamíferos e que “precisamos estar juntos”.

- As conexões produzem um efeito biológico no nosso organismo. As conexões de amorosidade e de amizade mobilizam ocitocina no corpo, responsável pela sensação de prazer e de conforto. A ocitocina é a base biológica dos laços humanos. Conexão social e otimismo estão relacionados com níveis mais baixo de inflamação. O campo sutil do chakra do coração nos conecta amorosamente com os outros, baixa os níveis de inflamação, aumenta nossa imunidade, traz saúde e felicidade.

EMPATIA E OTIMISMO

Diante das dificuldades dos encontros e proximidade em função da pandemia, Susan recomenda praticar um exercício permanente de “empatia e otimismo”. Durante os seminários que promove no Instituto Visão Futuro (www.visaofuturo.org.br), ela ensina a colocar em prática novos hábitos físicos e mentais de meditação, alimentação, yoga, entre outros.

Com a luz da monja doutora Susan Andrews, que tão bem nos ensina como a ciência e a espiritualidade podem andar juntas, e com a perseverança e prática positiva de cada um, podemos melhorar a nós mesmos para também ajudar outras pessoas.

Seguimos criando conexões e sustentando o otimismo. Acreditando que:

VAI PASSAR.

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