Bem-estar

30/03/2021 08h00

Volta às aulas, ou não

A volta às aulas tem sido um desafio para pais, alunos e professores. O momento exige resiliência e acolhimento para tornar esse processo menos traumático.

Por Nosso Bem Estar

Freepik NBE
Aulas

Volta às aulas, ou não

Pais e professores terão mais a aprender do que as crianças em todo esse processo de volta às aulas. Aprender e compreender. Sobre como auxiliar as crianças a atravessar as dificuldades e sobre a importância de manter o rigor com os protocolos de segurança.

Ainda não há estudos conclusivos que interpretem o efeito do isolamento na cabecinha das crianças.  Algumas manifestam desejo de não retornar para a escola por terem se acostumado com a companhia do pai e/ou mãe em home office.  Outras denotam que já não se sentem adequadas no ambiente escolar ou mesmo que o retorno presencial não corresponde às suas expectativas, já que a dinâmica e a forma de convivência mudaram.

Os especialistas não têm respostas prontas para minimizar a angústia geral, mas fornecem pistas valiosas para que esse processo de retorno às aulas - presenciais ou digitais -seja o mais gratificante possível a todos, inclusive para pais e professores que, nesse momento, terão papel ainda mais importante.

“A pandemia foi abrupta, afetou a todos e às crianças também”, analisa Simone Scherer do Amaral e Silva, neuropsicopedagoga clínica e institucional, especialista e capacitada para o Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Simone explica que a família é o primeiro lugar em que a criança forma seu processo de convivência. O segundo lugar é a escola. “A criança aprende com seus iguais, os coleguinhas, os amigos. Não tem como colocá-la numa bolha. Se fizermos isso, vamos tirar dela uma experiência verdadeira.”

A neuropsicopedagoga orienta pais e responsáveis a, nesse momento, restabelecerem as rotinas eventualmente desperdiçadas ao longo da pandemia.

Exemplos: fixar horário de acordar, dormir, almoçar, fazer a lição, ver TV, tomar banho, jogar no celular, tomar café ao acordar, fazer higiene etc. “Essas rotinas, ensina Simone, são fundamentais para que a criança retorne às aulas com uma percepção mínima de normalidade e, na sequência, alcance rendimentos satisfatórios.”

PARCERIA

A especialista defende que o retorno às aulas deve ser fundamentado numa parceria entre escola e família, com a garantia de segurança para a saúde de todos já que a pandemia segue.

Os professores vão perceber os problemas e terão de conversar com os pais para, se necessário, encaminhar a criança para atendimento multidisciplinar com pedagogos e psicólogos.

“Tudo que está fora demais de um padrão, de uma estatística, não é normal”, alerta a neuropsicopedagoga. Ela recomenda pais e professores a atentarem para os sinais que podem significar alteração de comportamento da criança, tais como agitação, ansiedade, choro, medo, silêncios prolongados, tristeza, agressividade, desobediência aos protocolos, tiques (morder lápis, picar papel, roer unhas etc), falar demais, desrespeitar limites.

BRINCADEIRAS

Simone aposta num método didático que pode ser eficiente: a ludicidade. Brincar, jogar, empregar o corpo e cantar são instrumentos que geralmente atraem a criança. Mais; ajudam o pequeno a perceber a importância dos limites, experiência que ele levará para as próprias disciplinas, como o português, matemática, artes.

A psicopedadoga clínica Flávia da Rosa Perazzo concorda e observa que, além da segurança sanitária, a escola precisa estar bem preparada para receber as crianças presencialmente. “Talvez mudar um pouco o foco formal. Por exemplo, fazer plaquinhas coloridas sobre protocolos sanitários. Será preciso muita paciência, muita afetividade, um bom acolhimento e, especialmente, muita empatia com a criança”, recomenda a psicopedagoga

“Não tem uma receita, não tem mágica. A empatia, enfatiza Flávia, deve ser via de duas mãos. Os pais também devem se colocar no lugar dos professores, a fim de evitar conflitos, e ambos precisam perseguir soluções em conjunto”.

X